Empreendedor ou dono de empresa? 

Empreendedor ou dono de empresa?

Uma estrutura operacional distribuída que envolve trabalho em casa, terceirizações, alianças com concorrentes e umas coisas muito esquisitas para o modelo tradicional. Para quem olha com as lentes da escola tradicional da administração Taylorista e Fayol, será rápido no diagnóstico: “isto é uma coisa caótica” Algo muito estranho matematicamente de computar e que exige um esforço fenomenal para valorizar. Pois é um capital esquisito, que antes era intelectual, se tornou capital tecnológico e agora é capital de engajamento. Louco Demais?

Ser empreendedor tem se tornado um modismo, como se tudo fosse mar de rosas, a tal ponto de ser slogan de muitas entidades. Mas ser empreendedor significa também ser empresário. E isto dá trabalho e bem longe dos holofotes da mídia e nas noites e preocupações de incertezas e riscos constantes. Ainda mais em países com política, economia e uma legislação fiscal complicada, complexa e efêmera como a do Brasil. Isto muitas vezes gera somente donos de empresas e não empreendedores.

Empreender significa testar seus limites diariamente, se atualizar; administrar e lidar com quem sabe mais que você, em muitos assuntos. E o empresário que não entende isto e coloca em prática, se torna apenas “dono de empresa” E perde todas as oportunidades que a tecnologia e novos processos podem e geram para sua organização!

Os globos me põem de cabeça tonta. Quando consigo localizar um lugar, já trocaram as fronteiras”. (MCLUHAN e FIORE, 1971, p. 1).

TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO, UMA GRANDE ALIADA

Nestes novos tempos da pós-modernidade, da globalização, ou como muitos gostam de chamar de ‘contemporaneidade’, não, já mudou, agora é a geração X, Y, Z dos Millennials. É essencial utilizar os instrumentos de apoio como a tecnologia da informação como STAFF, para um empreendedor dar conta de tanta demanda que vem sobre ele. Ter bons sistemas de informações, não é mais ter diferencial, é obrigação de qualquer empresa que quer estar no mercado e continuar a ser um “player”.

Com a quantidade de dados, processos e comunicação, necessários para efetivar uma transação comercial, é impossível qualquer organização fazê-la com o sucesso desejado, sem o apoio adequado de um sistema de informação que tenha efetividade e um grande nível de acurácia.

De uma perspectiva antropológica, toda a criação humana é cultura. Compreende elas os bens materiais, as representações simbólicas, os conhecimentos, as crenças, os sistemas de valores, o conjunto de normas que orientam o comportamento humano e nutrem as expectativas de comportamento (PENTEADO, 1991, p. 11).

Portanto, administrar uma empresa é gerenciar comportamento, administrar a cultura, é a criação de mecanismos de gestão que incluem métodos e procedimentos já testados e implantados por outras organizações.

Neste processo cultural, onde o empresário tem que ser o líder, pois tudo parte dele, o que mais pode dificultar a disseminação da real necessidade da quebra do paradigma do fazer tudo isoladamente, como se fôssemos uma ilha, é exatamente a falta de atualização do empresário que precisa ser empreendedor e não só dono da empresa.

Um empresário desatualizado, pode ver e não acreditar nos novos métodos, nos novos processos que geram otimizações, reduzem custos e geram maiores receitas. E desta forma, ele pode tentar sem perceber, conduzir seus negócios como se fazia há vinte anos atrás, em que não havia a Internet comercial e a comunicação ainda se fazia pelos correios e telex. Muitos nem sabem o que é um telex, um fax e outros recursos que já foram inovação, também. Mas, passaram, evoluíram. E os métodos e processos também, passam, evoluem, todos os dias.

Uma grande parcela dos empresários, que são só donos de empresa, ainda medem os resultados de suas empresas pelo saldo do banco. E não sabem que o tempo é veloz e exige muito mais que resultados financeiros para manter uma empresa funcionando.

Há valores intangíveis da nova economia, que valorizam uma grande carteira de clientes e potencial à geração de receitas imediatas; que valorizam as curtidas, os seguidores, e o quanto suas ações estão cotadas na Bolsa, pelo número de acessos aos seus perfis e não pela geração de caixa!

Algo muito estranho matematicamente de computar e que exige um esforço fenomenal para valorizar. Pois é um capital esquisito, que antes era intelectual, se tornou capital tecnológico e agora é capital de engajamento. Muito louco tudo isto!

As formas tradicionais de mensuração, não se encaixam mais, para determinar quanto valem estes novos ativos. E só o determinar o que são ou não ativos neste novo cenário, já é demasiado cansativo e difícil. É subjetivo. Mas custa, gera e tem valor financeiro. Muito esquisito não é?

OLHAR FORA DAS LENTES DE TAYLOR E FAYOL

É necessário, uma política de recursos humanos inovadora, um planejamento estratégico que inclui incertezas, sem ser fantasioso, mas, descolado das revisões rígidas e periódicas. Uma estrutura operacional distribuída que envolve trabalho em casa, terceirizações, alianças com concorrentes e umas coisas muito esquisitas para o modelo tradicional. Para quem olha com as lentes da escola tradicional da administração Taylorista e Fayol, sugere uma coisa caótica.

Ser empreendedor é ter a coragem de esquecer horários e se dedicar às grandes variáveis que realmente variam de formas surpreendentes. É buscar a atualização em assuntos muitos transdisciplinares. Não dá para ser um especialista, um empreendedor precisa ser multi especialista. E para isto, só se cercando de vários especialistas e usar a sinergia para gerar coesão entre esta multiculturalidade de conhecimentos diversos e necessários aos negócios de hoje em dia.

NA PRÁTICA

Para não ficar filosófico demais, vamos a um exemplo simples que toda empresa passa: como distinguir a diferença entre otimização (redução) de custos e apenas cortar despesas? O que é cortável e não impactante nos negócios e o que não é? Responda rapidamente se der conta! Impossível, é necessário análises e projeções para fazer cortes cirúrgicos. É necessário envolver outras pessoas da empresa. Dá trabalho, não pode simplesmente dar uma ordem como dono de empresa e pronto. Entendeu?

GRANDES QUESTÕES DO DIA A DIA DO EMPREENDEDOR

Um empreendedor responde todos os dias no mínimo aos seguintes dilemas:

  1. O que é aresta no meu negócio e precisa ser cortado, “gordura”?

  2. O que é essencial para os negócios produzirem resultados?

  3. Como promover a inovação? O que fazer? Por onde começar? Até onde ir? Para onde e como ir?

ONDE BUSCAR E COMO OBTER CONHECIMENTO?

1 – Leia revistas e artigos de outros setores diferentes do seu. Tente apreender com os erros do outros. Como empresários damos muito foco no sucesso dos outros, da concorrência, dos gurus; e como nos ensinou Jack Ma, fundador do Alibaba e o homem mais rico da China; este é um dos grandes erros dos empresários.

É preciso conhecer e aprender com as histórias dos erros dos outros. Para que você não os cometa também. A história do sucesso é linda, é um mar de rosas, é dourada, é um conto de fadas; porque ela, na maioria das vezes, omite os erros e os percalços que estiveram por trás dos tombos e caídas, até chegar ao pódio.

2 – Participe de associações e organizações da sua classe empresarial. Vá as reuniões semanais, dedique tempo, seja ativo, participe, colabore, apoie e instrua os iniciantes, se ofereça para ajudar. Desta forma, sua proatividade irá trazer de volta em múltiplos toda sua colaboração. Você será respeitado e conhecido na sua comunidade. Assim nascem os grandes líderes, os formadores de opiniões e os líderes de mercados.

3 – Olhe a longo prazo. Não seja imediatista, não sangre o caixa de sua empresa, com retiradas pro-labores acima das reais posses dela. Pense que existem períodos de “vacas gordas e vacas magras” em qualquer segmento. E que o seu, não é exceção.

4 – Seja ético o tempo todo, não dê brechas para cobranças que lhe constranja futuramente, não acredite demais em histórias de consultores, peça provas e clientes de sucessos, se necessitar contratar seus serviços. Fale com clientes deles, não só ligue, vá la. Faça amizades com eles e descubra o que está contratando de verdade. Amarele para perguntar, para não se envermelhar de raiva depois.

5 – Não procrastine, não postergue decisões necessárias. Defina um prazo para planejar, analisar e avaliar o que precisa ser feito. Crie cenários para estas decisões e tome uma decisão e fique firme nela, por melhor que as outras fossem.

6 Se for necessário desfazer de patrimônio, aja logo, não espere uma ferida sangrar mais que o necessário e se tornar uma hemorragia. Não tenha amor por aquilo que não é para ser amado. Ame pessoas, bens você compra de novo depois! Construa reservas, patrimônio, capital de giro. Você precisará disto, não duvide! Eles servem para isto mesmo, lhe socorrer rapidamente em épocas difíceis. E todos passam por elas!

7 – Pare de reclamar da crise, do governo, do mercado, do dólar, da alta do petróleo, do sindicato, dos colaboradores, dos órgãos de defesa do meio ambiente e até da falta de sorte; como se sorte fosse um ingrediente essencial do processo de gestão empresarial. Acredite em Deus, na sua equipe e no seu trabalho, suba um degrau todo dia, porque no final do ano serão mais de 300 degraus e você conseguirá ver melhor lá de cima, para agir certeiramente, como uma águia faz.

CONCLUSÃO

O empresário que não se atualiza e para isto, é impossível não ler pelo menos um bom livro com conteúdo atual por mês, perde o bonde do negócio e fica na idade média.

Passa a aguardar o féretro de seus próprios projetos, de sua empresa, vivendo apenas como “dono da empresa”, ou ainda limitando-se a explorar os nichos de baixos rendimentos que vêm a reboque da concorrência, que dita para onde ir ou não, como proceder e até quanto pode ter de rendimento, seja ele financeiro, realização pessoal ou de construção de sua parte na sociedade.

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Pense nisto e sucessos!

Roger Maia é Mestre em Educação pela UEMG, Especialista em Sistemas de Informação pela UFMG, MBA em Gestão Empresarial pela FACED e graduado em Ciências pela FUOM, Professor universitário e de pós graduação, CEO da Vilesoft e Search Fund da Widjet Celera. É membro efetivo da SBC – Sociedade Brasileira de Computação, desde 2005 e também é membro do IEEE – Institute of Electrical and Electronics Engineers of USA

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